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sexta-feira, abril 13, 2007

Rainer Maria Rilke (1885 - 1926)

Antes da chuva de verão

Repentina, de todo o verde em teu redor,
algo que não conheces desaparece;
sentes como se aproxima da janela,
em silêncio.

Do arvoredo vizinho
sai o canto urgente de uma tarambola,
lembrando S. Jerónimo:
tanta solidão e paixão vêm
daquela única voz, que reza o dilúvio concedido.

As paredes, com os antigos retratos,
afastam-se de nós, cuidadosamente,
como se não devessem ouvir o que dizemos.

E reflectidos dos tapetes gastos;
um frio, incerto raio de luz daquelas
horas longas de infância que tanto temes.
Rainer Maria Rilke

sexta-feira, outubro 27, 2006

Rainer Maria Rilke (1885-1926)

A Pantera

No Jardin des Plantes, Paris

De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
Rainer Maria Rilke