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quinta-feira, abril 05, 2007

Gunnar Harding (1940 - )

A luz à procura

2.

Para entrar numa árvore
passa pela árvore.
Do outro lado
serás uma outra pessoa.

Acharás o teu caminho se te lembrares
Que todas as árvores são diferentes. Luz a tremeluzir
De lanternas, cães a ladrar
Em vozes altas. A luz à procura penteia a floresta
Em procura das crianças perdidas.

De botas de plástico vermelhas ele caminham
Na direcção de Este
Ou Oeste, em direcção do Norte
Ou do Sul, sempre mais profundamente na floresta.

A água sobe nas botas deles
Ensopa as meias, molhadas
Como o musgo nos bolsos.

Nunca vão regressar aqui.
Gunnar Harding

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Gunnar Harding (1940 - )

Cai a noite quando tu regressas

1.

o morto ainda está suspenso
do candeeiro de cristal na sala de jantar. os seus sapatos
de cabedal preto roçam o teu cabelo enquanto
comes.

os policias entraram. escrevem os
mandatos de captura na toalha de mesa, que rasgam
em tiras e enfiam nas suas máquinas de escrever.
vês tudo claramente, como alguém que regressa
de uma viagem para o apartamento vazio
depois de tanto tempo.

eles estão à espera há muitos anos
jogando às cartas no chão de madeira
e molhando as paredes com jactos de água de soda.

o capitão da polícia move uma peça de xadrez
"estranho, se de passagem me encontrares..."
Gunnar Harding